O Presente no Futuro
Hoje eu quero compartilhar com vocês um trecho de um livro que fala especificamente sobre a Gestalt-terapia, que é uma abordagem da psicologia que me interessa bastante. Eu me identifico muito com a maneira que essa abordagem sugere para compreender e lidar com os fenômenos psicológicos. E esse trecho que reproduzo a seguir, causou um grande impacto em mim, por isso quero compartilhar com vocês.
"Neste momento muitas pessoas estão paradas, atoladas em certa era de se aprontar - de preparar-se para acontecimentos que nunca acontecerão ou demorarão tanto para acontecer, que quando ocorrerem as pessoas estarão desgastadas ou já desiludidas. As pessoas suportam um trabalho penoso por causa de radiantes semanas de férias - como a luz no final de um túnel longo e escuro. Economizam por toda a vida, prevendo uma aposentadoria tranquila. Uma sequência infindável de salas de aula, salas de palestras, igrejas, museus, salas de concerto e bibliotecas prometem ensinar as pessoas a viver. Muitas vezes o próprio ato de aprender nem mesmo é apresentado como um ato de viver, por direito próprio. A vida real irá começar em algum momento no futuro - depois que terminarmos a faculdade, depois de nos casarmos, depois que as crianças crescerem ou, para algumas pessoas, depois de terminar a terapia.
As preparações para o acontecimento real, qualquer que seja ele, são anunciadas diante de uma pessoa que compra ações especulativas para um futuro radiante. Ela paga por felicidade futura ao matar ou negar a presença impactante da sensação presente. Mas há um efeito colateral não desejado dessa negociação, mesmo quando ela chega à terra prometida: o hábito de se afastar da experiência presente a acompanhou até o futuro que finalmente se transformou em seu presente. Agora, quando ela poderia começar a viver, segundo os termos de seu contrato com a sociedade, a pessoa ainda se contém! Ela foi ludibriada pelo jogo do isso-é-bom-para-você."
Pense você, quantas vezes adiou um plano importante porque ainda não era hora. Quantas vezes deixou de curtir aquela pessoa especial, seu sobrinho, pai, mãe, irmã, irmão, namorado, amigas, porque tinha coisas mais importantes para fazer? Quantas vezes deixou de jogar um jogo que te diverte, ler um livro que te fascina, desenvolver alguma atividade que te dá prazer porque agora não dá. Quantas vezes deixou de olhar a beleza do mundo ao seu redor, porque não vai dar tempo?
"A primazia da experiência está ligada de forma quase inextrincável à primazia do presente".
Sabe aquela frase, que é quase um ditado popular: não deixe para fazer amanhã o que você pode fazer hoje? Essa frase não precisa ser somente associada às tarefas do trabalho, dos compromissos profissionais... Que tal experimentar fazer dessa frase um lembrete para suas necessidades pessoais também?
Muito amor,
Ana.


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